terça-feira, 19 de junho de 2012

Nenhum comentário:

Bem, você já amou alguma vez? Mas amar, amar mesmo, não esses sentimentozinhos frívolos como os quais nos deparamos em cada esquina. Amar ao ponto de dar a sua vida pela dela. Se a respostar for sim, então sabes o que sinto. Sabe quando a pessoa que amas é arrancada da tua vida tão bruscamente que não consegues agir de jeito nenhum. Fiquei sem chão, sem ar e sem vida. Um nada passou a me habitar. Sou oco. Embora não aparente, as lágrimas pingam dentro de mim e ressoam com um eco cada vez maior. A minha mente se tornou vazia, não armazeno informação alguma. Não sinto dor, nem frio e muito menos alegria. Faço tudo impulsivamente, não há cérebro para me controlar. Não tenho mais amigos, vivo em plena solidão. Não me importo com nada, a minha razão de viver me foi tirada. Por vezes já pensei que o único jeito de superar isto é fazendo com que enterrem o meu corpo ao lado do dela. Para, assim ao menos, poder senti-la, poder vivê-la. 
Nenhum comentário:

E se pudéssemos voltar no nosso passado, quando éramos somente crianças, ingênuas crianças. Faríamos tudo da mesma forma? Ralaríamos o joelho da mesma forma e deixaríamos o nosso coração ser despedaçado de novo? Você se lembra dela, a sua infância, dos almoços na casa da avó, do cheiro das flores do jardim, dos bolos de chocolate que a mãe fazia? Porque será que tudo isso foi nos tirado, as risadas que dávamos sentados no chão da varanda, a rede balanceando, aquela brisa das manhãs de verão e as noites estreladas de inverno, será que tudo isso ainda está lá, em algum lugar? 

Nenhum comentário:
Reativando o blog, começarei postando textos que eu já havia escrito e não havia publicado.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Yesterdays - Guns n' Roses

Nenhum comentário:
                O tempo passa. Os dias passam. A vida passa. As pessoas mudam. Novas experiências se acumulam formando um novo ‘eu’. Nossas prioridades mudam. Cansamos-nos de certas pessoas. Nossa forma de agir muda. O que aconteceu? Nada. Foi só o tempo que passou. Pelo menos é o que dizem, é o que me dizem.
Jonas e Júlia *o*
                Para onde vai tudo aquilo que um dia foi? Nossa memória não seria o lugar mais confiável. Esquecemos das coisas, das pessoas, dos momentos. Esquecemos que um dia fomos felizes com certo alguém. Esquecemos coisas inesquecíveis. Mudamos de forma incompreensível.
                 Os dias continuam a passar. As horas. Os minutos. Os segundos. Nossa vida muda por completo, diante dos nossos olhos e nem percebemos. Percebemos, sim, quando já mudou. Quando nossos amigos não são mais os mesmos. Quando não freqüentamos mais os mesmos lugares. Quando não nos alegramos mais com as mesmas coisas.
                Então queremos que o tempo volte. O mais incrível é que lutamos contra ele. Queremos que as coisas voltem a ser como eram, mesmo que nós não sejamos mais do jeito que éramos. Percebemos que esta última parte foi em vão. E começamos a nos arrepender de não termos dito o que queríamos. De não ter não ter abraçado quando tivesse dado vontade. De não ter feito várias coisas que amaríamos ter feito. Mas agora só o que nos resta é se arrepender.
                O mundo não precisa ser perfeito, mas ele pode ser perfeito a sua maneira, se algo não aconteceu, talvez não fosse à hora. Não nos arrependamos das coisas feitas, mas sim das que poderiam ter sido realizadas. Não se queixa aos ventos da tua vida, ela é resultado dos teus atos.

Time just fades the pages in my book of memories. Prayers in my pocket and no hand in destiny. I'll keep on movin' along with no time to plan my feet 'cause yesterday's got nothing for me. Old pictures that I'll always see. Some things could be better if we'd all just let them be.”

domingo, 19 de setembro de 2010

Sem Título.

Um comentário:
Quantas vezes já olhei para os lados esperando encontrar alguém que me apóie? Mas quando tento abraçar, só encontro o nada a minha frente. Tateio o vento esperando encontrar a forma maciça de alguma coisa. A escuridão me cega de forma assombrosa. Procuro, então, alguma forma de manter-me em contato com a humanidade. No bolso uma luz vermelha pisca, agarro-a com a alma, como se fosse a minha última esperança, o meu último suspiro de vida. Ligo para o primeiro número que me vêm à cabeça. A ansiedade aumenta e junto com ela, a vontade de correr deste lugar. Nesses momentos, o mundo parece absurdamente pequeno para poder se viver em paz. A ligação cai na caixa postal, o seu telefone está desligado. Tento o número da casa, ocupado. Uma súbita raiva de toda esta parafernália tecnológica invade todo o meu ser. Na terceira tentativa percebo que o saldo está baixo, algo insuficiente para se fazer um contato digno. A raiva só trata de crescer. A minha vontade é a de fugir, me machucar, me livrar deste mundo. Se pudesse, iria até onde me fosse possível, mas, infelizmente, querer não é poder, não neste mundo. Então, paro e percebo como levei uma vida fútil até este momento. Preocupei-me com coisas supérfluas e por causa delas, estraguei meus dias. Percebo quanto tempo passei fazendo coisas que não há necessidade, discutindo com pessoas que poderiam ser ignoradas. Ah, como poderia ter usufruído melhor do meu escasso tempo... Ligo o rádio, para ver se alguém percebeu o que aconteceu. Porém, na primeira emissora está a tocar Anoiteceu em Porto Alegre. Ninguém percebeu nada. Atendo minha vontade e corro para a rua, fecho a porta tão bruscamente que causa um som estrondoso e a tranco. Finalmente na rua, finalmente livre. Começa a chover, mas não tenho a certeza se a água que me molha é a do céu ou a de minhas próprias lágrimas. Raios partem em todas as direções ou são somente os meus pensamentos que se tornaram físicos? Não importa. Continuo a correr, a me molhar e a chorar. Corro, para onde? Não sei. O mundo desaba ao meu redor. Com meus olhos encharcados vejo pessoas em suas casas. Pessoas felizes comendo o seu jantar. Pessoas que nunca vi na vida. Pessoas que nunca verei novamente. E se uma dessas pessoas pudesse ser uma amiga? E se... E se... Cada pessoa tem a sua própria vida, que muitas vezes não interfere nem indiretamente na vida de outras pessoas. Há seis bilhões de pessoas neste mundo, e como quantas estabelecemos contatos? Muitas vezes nem cumprimentamos as pessoas próximas a nós, a balconista, o cobrador. Agora percebo que a vida deles de alguma forma está ligada a minha. Porém, estas pessoas nas janelas... Ah, como quisera fosse eu em uma delas. Como quisera. Sigo em frente o meu percurso, meu percurso até onde? Com exaustão, tombo no chão. Vejo pessoas nas ruas. Pessoas fazendo compras, pessoas fechando as lojas. Pessoas. Só espero que cada uma aproveite bem o tempo que resta de sua vida. A morte poderá vir a cada momento. O que me garante que terei vida no próximo momento? Mas nós temos a capacidade de desperdiçar a vida como se ela fosse infinita, como se viveríamos para sempre. Como se eu viveria até amanhã. O centro da cidade vai se esvaindo ao passo que escurece. As árvores ficam com um terrível aspecto semimorto. A vida fica semimorta. Ainda no chão, vejo as figuras noturnas. Vejo a brutalidade da realidade. Vejo pessoas se encaminhando para a Igreja, para a Sinagoga, para os templos. Mas para quê? Que certeza se tem de que há algo depois? Nenhuma. Há pessoas dedicando toda a vida buscando fictícias recompensas eternas. Pessoas como essas. Pessoas que se privam em nome da vida eterna, esquecendo de viver esta, que é a única que elas têm certeza de haver. E se não forem salvos? E se o deus que escolheram ter sido o errado? E se em vez de Jeová, o deus certo é o Ala? Essas pessoas não serão salvas? Por motivos como estes, prefiro me abster de opinião religiosa. Prefiro continuar a apenas observar estas pessoas se dirigindo, embaixo de guarda-chuvas, para os seus lugares sagrados. Enquanto cada gota de chuva me tira uma gota de vida. Há essa hora, meu celular deve estar estragado com tanta água que já passou por ele. Já tenho a certeza de que ninguém me ligará. Que ninguém me acordará do meu doce sonho. De que meu corpo só será reconhecido na manhã seguinte.