Ano novo chegando. Novas promessas não cumpridas. Novas prosperidades não alcançadas. Novo ano que já se foi. Feliz ano velho que será igual a todos os novos anos que já se passaram. Você irá fazer promessas como emagrecer, tirar notas boas, começar a trabalhar ou passar no vestibular. Comerá lentilha, pulará sete ondinhas e branco usará. Você dirá que será o melhor ano da sua vida e que nada irá te atrapalhar. Você começará um dia mas nunca irá terminar. Você irá amar, se apaixonar e se decepcionar. Em março já não sabe mais da metade das promessas feitas. Em agosto achará tem ano uma porcaria. Porque ano passado se foi e nem sabia que tinha ganhado na loteria o melhor ano da sua vida. Em dezembro, o pinheiro irá enfeitar, novas promessas anotará para depois de lado deixar.
terça-feira, 19 de junho de 2012
Sonhos

Hey, sonhos vocês ainda estão aí? Vocês andam meio desaparecidos né?! O que andam fazendo, se alimentando? Poderiam dar uma pequena passada por aqui de vez em quando. Eu estou precisando de vocês. Que vocês me deem força para fazer muitas coisas ainda. Cadê você Revolução? Ainda está por aqui? Gostaria de sentir de novo um pouco dessa tua força. Acho que senti agora, Revolução, queridaRevolução, você ainda me causa arrepios, acredite, você não sabe a força que você tem. Ou sou eu que não sei a força que tenho? Creio que essa força deve estar dentro da gente. Só basta fazê-la aflorar. Mas Revolução, muitas vezes percebo que estou um tanto sozinha nessa jornada, as pessoas não se importam mais com isso, estão muito fúteis e a única revolução que as interessa é a tecnológica, elas são egoístase narcisistas. Essas pessoas só se preocupam com o seu próprio ego, querem sair por cima sempre.
Não conigo entender esses seres humanos desumanizados. Grande parte com uma falsa moral. Pregam:
‘ajudem as crianças da áfrica,mimimi, elas morrem de fome’
mas não são capazes de um pão para a criança que pede esmola na rua. Para eles, minha Revolução, você está lá longe, em cima de um altar, intocável. Quantabesteira. Você está aqui, comigo. Reclamam da corrupção, mas votam sempre nos mesmos políticos. Dizem que não há políticos honestos, mas todos somos seres políticos. Somos nós que fazemos a política. E essas pessoas que reclamam da corrupção se corrempem por quase nada.
Dizem que está tudo liberal, está mesmo. Tudo está banal, até falar que está banal virou banal. O ‘eu te amo’ que é a frase mais linda que existe se banalizou com uma facilidade assustadora. Este é um mundo liberal onde crianças de 11 anos podem ir na balada, pegarem quantos quiserem e ainda depois transar com um desconhecido. Porém LIBERALIDADE não é LIBERDADE. Liberdade não é fazer as coisas que você quer quando você quer. Mas ter compromisso que isso não interfira na vida dos outros. É querer o melhor não para si, mas para todo o mundo.
É Revolução, você ainda está comigo.
Bem, você já amou alguma vez? Mas amar, amar mesmo, não esses sentimentozinhos frívolos como os quais nos deparamos em cada esquina. Amar ao ponto de dar a sua vida pela dela. Se a respostar for sim, então sabes o que sinto. Sabe quando a pessoa que amas é arrancada da tua vida tão bruscamente que não consegues agir de jeito nenhum. Fiquei sem chão, sem ar e sem vida. Um nada passou a me habitar. Sou oco. Embora não aparente, as lágrimas pingam dentro de mim e ressoam com um eco cada vez maior. A minha mente se tornou vazia, não armazeno informação alguma. Não sinto dor, nem frio e muito menos alegria. Faço tudo impulsivamente, não há cérebro para me controlar. Não tenho mais amigos, vivo em plena solidão. Não me importo com nada, a minha razão de viver me foi tirada. Por vezes já pensei que o único jeito de superar isto é fazendo com que enterrem o meu corpo ao lado do dela. Para, assim ao menos, poder senti-la, poder vivê-la.
E se pudéssemos voltar no nosso passado, quando éramos somente crianças, ingênuas crianças. Faríamos tudo da mesma forma? Ralaríamos o joelho da mesma forma e deixaríamos o nosso coração ser despedaçado de novo? Você se lembra dela, a sua infância, dos almoços na casa da avó, do cheiro das flores do jardim, dos bolos de chocolate que a mãe fazia? Porque será que tudo isso foi nos tirado, as risadas que dávamos sentados no chão da varanda, a rede balanceando, aquela brisa das manhãs de verão e as noites estreladas de inverno, será que tudo isso ainda está lá, em algum lugar?
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